[Todos os créditos de conteúdo e ideias são da Gabrielle Siqueira, já que tudo que fiz foi reestruturar o texto pra que esse conteúdo maravilhoso que ela encontrou e todas as suas ideias ficassem ainda mais claras pra todos os leitores.]

Aqui no Ocidente, o termo “otaku” é usado para designar toda e qualquer pessoa fissurada por cultura pop japonesa, sendo normalmente associado a mangás e animes. Nos Estados Unidos, o termo se popularizou a partir de 1992, com a chegada do anime Otaku no Video e com a revista Animerica, que utilizou “otaku” para caracterizar pessoas que fossem fanáticas pela cultura japonesa, assim como os personagens de Otaku no Video. No Brasil, a popularização do termo aconteceu graças à primeira revista sobre anime e mangá, a Animax, lançada em 1990.

No entanto, o significado mais popular do termo aqui no Ocidente está bem longe do significado original. Otaku (おたく), palavra japonesa, originalmente se referia a qualquer pessoa que seja obcecada de forma doentia por qualquer coisa, desde cultura pop até pneus e trens. Portanto, se refere a um estereótipo extremamente negativo. No Japão, foi popularizada pela obra  M no Jidai , de Akio Nakamori, publicada em 1989, que retratava a vida de um garoto obcecado por mangás pornográficos e garotas. O livro foi inspirado na história de Tsutomu Miyazaki, um assassino em série real que entre 1988 e 1989 matou e mutilou quatro meninas com idade entre sete e nove anos. Com isso, o livro acabou gerando grande repercussão no público em relação ao uso do termo. Com o tempo, seu significado acabou mudando um pouco, qualificando pessoas introvertidas que passavam muitas horas em casa se dedicando a seus hobbies, podendo ser usado até mesmo como um xingamento.

 

Hoje em dia, o uso da palavra “otaku” ainda gera discussões em muitos e muitos países, principalmente no próprio Japão. No Brasil, o termo não teve seu significado original devidamente explicado, motivo pelo qual provavelmente acarretou tantos enganos. No entanto, em vários outros países, ambos os significados coexistem, o que gerou todo o debate atual sobre o uso de “otaku”.

A visão japonesa sobre esse título, atualmente, tem se tornado bem mais flexível, graças a obras que tratam sobre o tema de forma bem mais leve, como Densha Otoko. Porém, ainda é muito raro se nomear um Otaku no Japão, independente de qual seja seu hobby. No Ocidente, é claro, a realidade é bem diferente. Mesmo vários países tendo absorvido ambos os significados da palavra, quem se intitula Otaku é bem menos discriminado.

Existe um termo bem mais leve que apenas meninas podem usar no lugar de “otaku”: Otome (おとめ), que originalmente significa “donzela”, mas que no Ocidente tem o mesmo significado de Otaku. Apesar disso, acaba funcionando como uma diferenciação entre supostas introvertidas fracassadas e garotas que apenas curtem seus hobbies.

 

No Japão, ser Otaku é uma vergonha, não um orgulho. São poucos os japoneses que realmente admitem ser doentes por jogos, trens ou qualquer outra atividade, o que é até fácil de entender. Considerando o quão rígido o país ainda é, ser considerado escória por não se encaixar e participar ativamente do sistema é absurdamente normal.

Ser viciado em algo, além do mais, nunca é bom. Mantenha os seus hobbies e gostos, porém sempre lembre que existe uma vida a ser vivida. O universo não se trata apenas de animes ou jogos. Cada um possui sua própria história. Cabe a você não deixá-la em branco e não preenchê-la com dados da imaginação de outrem.