Como são vistas as bonecas no Japão

Na cultura japonesa, as bonecas têm papel de notável importância, podendo representar de deuses a demônios, maldições a suplícios. O uso da boneca no Japão pode ter teor religioso, tema que já gera polêmica em todo o mundo. Com material de papel, cerâmica, plástico ou até mesmo palha, são conhecidas muitas vezes por possuir poderes místicos, aliás, como disse Misaki Mei de Another: “… bonecas são ocas, completamente ocas. De corpo e alma. Esse vazio as conectam com a morte. Mas, coisas ocas procuram preencher seus vazios…” Podem ser usadas em festivais, como o Hinamatsuri e o Kodomo no Hi e é sabido que são, acima de tudo, tradicionais.

História

No Japão antigo, já houve a crença de que possuíam vida própria, sendo especialmente usadas como proteção ou confeccionadas para fins não religiosos, todas igualmente descartadas em rios ou incineradas ao caírem em desuso, tratadas assim com respeito quase humano. Temos destaque para as Haniwa, bonecas funerárias, responsáveis por proteger o falecido, e o costume de bonecas de palha, para proteção, que ainda permanece na cultura no Hinamatsuri. No período Heian, já haviam se popularizado para uso caseiro e religioso. Já no período Edo, se rebuscaram e garantiram sua melhor venda. Porém, mesmo com sua capitalização, o respeito por elas não foi perdido.

 

Tipos de Bonecas

Gosho ningyo

Bonecos infantis, modelados em uma pasta branca, chamada Gofun. São o símbolo da realeza e do prestígio, devido ao fato de se originarem do período imperial de Kyoto. Podem ser trajados de vestimentas de samurais e imperadores.


Hakata ningyo

Bonecas tradicionais da prefeitura de Hakata, ricas em detalhes e impecavelmente vestidas. São feitos de cerâmica, como um dos mais detalhados trabalhos deste gênero. Estão presentes nos festivais Hakata Gion Yamakasa.


Karakuri ningyo

Bonecos com um mecanismo responsável por lhes conferir movimento, originados no período Edo. Podem ser usados como presentes (Zashiki karakuri), em carros alegóricos (Dashi karakuri) e em teatros de fantoches (Shibai karakuri). São feitos exclusivamente para entretenimento, ponto característico do período, e eram conhecidos por representar mitos.

Hina ningyo

Bonecos expostos em plataformas recobertas de tecido vermelho durante o Hina Matsuri, representando o Imperador, a Imperatriz, serviçais e músicos.


Kokeshi

São as tradicionais bonequinhas japonesas sem braços e pernas, vendidas hoje em dia a turistas. Seu passado, porém, lhes confere polêmica. Não se sabe se elas são obscuras ou apenas um amuleto de boa sorte, entregue a crianças ou amigos. Fazem parte de lendas, simbolizando a alma de bebês entregues à morte, devido ao duplo sentido do seu nome: Ko, criança ou pequeno, e Keshi, boneca de madeira ou eliminar. Porém, não devemos negar que é uma boneca extremamente carismática e fofa. Cabe a você decidir que significado quer lhe atribuir.


Katashiro

Como nem tudo são flores, existem também bonecos com outras conotações, como os Katashiro, feitos de papel, palha ou metal e representam humanos. São utilizados em rituais de purificação, para absorver os males das pessoas e, em seguida, serem descartados em um rio. Também é utilizado para representar outrem e rogar maldições.


Wara Nigyou

Tipo de Katashiro feito de palha. Popular em rituais de maldição, é combinado com algum artefato da pessoa alvo, podendo então ser espetado com pregos especiais para debilitá-la.

Hoje em dia, as bonecas mais populares são as Ball Jointed Dolls, bonecas realistas e delicadas, feitas especialmente para colecionadores. Feitas muitas vezes à mão, possuem uma grande variedade no mercado e, inclusive, conquistaram também o ocidente.